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 (Indicação - FanFic) Maleah

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Thita

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MensagemAssunto: (Indicação - FanFic) Maleah   Qui Set 11, 2008 4:45 pm

Essa é uma das minhas fics favoritas, li a anos atrás e só a encontrei de novo agora, graças a Ba que lembrou que eu estava procurando por ela e me enviou.


Bem, Maleah é uma fic de universo alternativo, onde Mulder esconde de Scully que eles tem uma filha (Ele a encontrou em uma investigação e ela era vitima de experiencias genéticas) Tentando proteger a criança ele a mantem escondida em outra cidade e a trama corre por ai...



Maleah


Parte 01

LUGAR DESCONHECIDO 1:24 AM

Os pulmões dela ardiam. Os braços dela ardiam. Enquanto ela corria, as pernas fracas demais para continuar por muito mais tempo, Maleah prestava atenção à estrada à sua frente. Se ela chegasse à estrada e atravessasse a rua para o outro lado, para o hotel do outro lado, ela estaria bem.

Um galho a fez tropeçar e cair de rosto no chão. Ela soltou uma exclamação de dor quando o braço estalou dolorosamente logo acima do cotovelo. Naquele momento, ela quase desistiu, sentou-se no chão e chorou. Ela era somente um bebê! Mas a figura em frente a ela tomou sua mão e a continuou puxando para frente, uma suave luz azul a envolvendo. Trocando os pés, a menina se levantou, segurando o braço ferido enquanto voltava a correr, seguindo seu anjo protetor, ignorando os cortes nos joelhos, pernas e braços. Finalmente, os solados dos tênis cor-de-rosa tocaram o asfalto da estrada e ela parou por alguns segundos antes de atravessar a rua correndo. Ela entrou no saguão do hotel, os olhos selvagens de medo. A senhora atrás do balcão levantou os olhos do romance em suas mãos e eles imediatamente se escancararam por detrás dos óculos.

"Por deus, criança! O que aconteceu com você??"

Ela levantou da cadeira e saiu de trás do balcão, colocando o livro na superfície lisa antes de ajoelhar em frente a menininha de mais ou menos 4 anos, o jeans sujo de terra nos joelhos e nas barras das pernas, a blusa azul cor de céu rasgada na manga direita e no ombro onde sangue manchava o algodão, denunciando um corte. Maleah lambeu os lábios e seus olhos de camaleão estudaram a mulher à sua frente.

"Querida, o que aconteceu com você?"

Maleah largou o braço ferido para meter a mão no bolso e tirar de lá um pedaço amassado de papel e estender para a senhora à sua frente.

Fox Mulder 555-9355

* * *

Mulder entrou correndo no hotel às 3 horas da manhã, sua respiração errática. Olhando as redor, ele procurou freneticamente com os olhos.

"Sr. Mulder?"

Fox virou para olhar para a senhora que lhe dirigira a palavra. Ela tinha grandes olhos azuis e sorria. Mulder passou uma mão pelos cabelos e suspirou.

"Onde está ela?"

"Eu tomei a liberdade de levá-la ao médico, Sr.Mulder. O braço dela estava quebrado, mas agora está tudo bem. Ele receitou um remédio para a dor. Eu a limpei, dei comida e agora ela está dormindo. Venha comigo, por favor."

Mulder seguiu a mulher até um pequeno quarto logo depois do hall de entrada. A menina dormia na cama de casal no meio do quarto, o corpinho pequeno parecendo desaparecer na enorme cama. O braço direito estava engessado e jazia próximo à cabeça, pontas de pequeninos e ainda gorduchos dedinhos aparecendo aonde o gesso terminava. Os cabelos de um vermelho cobre estavam molhados e formavam um halo acima de sua cabeça nos travesseiros imaculadamente brancos. Mulder deu um passo à frente e depois outro. E outro. Seus dedos se fecharam sobre uma mãozinha pequenina. Suavemente, ele passou o dedão pela palma e sentiu a garganta se fechando. Os lábios rosados estavam escondidos atrás de uma enorme chupeta azul clara.

"Pertencia à minha netinha. Eu não sabia se devia, mas ela não estava conseguindo dormir, então eu ofereci e ela aceitou. Espero que não se incomode."

Mulder pareceu perceber que a senhora ainda estava lá só naquele momento. Ele sorriu meio sem graça e estendeu a mão."

"Senhora Krall, eu agradeço muito todo o seu trabalho. Se houver algum gasto, por favor é só me ligar que eu cobrirei todos imediatamente."

A mulher retribuiu o aperto de mão e sorriu para ele.

"Não será necessário, senhor Mulder."

O agente sorriu e voltou à beirada da cama. Cuidadosamente, ele afastou as cobertas de cima do corpo da menininha e a pegou nos braços. Os olhos cor de camaleão se abriram por somente um segundo, fitaram Mulder calmamente, voltaram a se fechar e a menina enterrou o nariz no pescoço dele, circulando seus ombros com os bracinhos gorduchos. Mulder agradeceu novamente à dona do hotel e caminhou até seu carro, parado na superfície gelada do estacionamento. Deitou a menina no banco de trás e só então tomou seu lugar atrás do volante. Soltando um suspiro agonizado, ele girou a chave na ignição e depois de mandar um último olhar para a menininha deitada no banco de trás do carro ele arrancou com o veículo.

* * *


Última edição por Thita em Qui Set 11, 2008 4:50 pm, editado 1 vez(es)
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Thita

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MensagemAssunto: Re: (Indicação - FanFic) Maleah   Qui Set 11, 2008 4:46 pm

Parte 2


Mulder carregou a menina adormecida para seu apartamento e fechou a porta empurrando-a com o traseiro, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Delicadamente, ele caminhou até o quarto e deitou o pequenino corpo na cama. A menina virou de lado e se encolheu, uma mão logo abaixo do queixo, a outra, palma para baixo em cima do travesseiro. Fox passou uma mão trêmula pelos cabelos acobreados e enroscou o dedo numa madeixa, levando ao rosto e inalando o cheiro de talco de bebê e inocência, própria de todas as crianças da idade de Maleah. Mulder suspirou e cansado, passou uma mão no rosto, correndo-a depois pelos cabelos. Depositando um beijo carinhoso na testa de Maleah, ele a cobriu com um cobertor e saiu do quarto, encostando a porta.

"Mas que droga!!"

Seus joelhos dobraram e ele caiu sentado no sofá. Seus olhos ardiam pela noite insone e pelo susto. Deixando o corpo se esticar no sofá, ele suspirou e jogou o braço sobre os olhos. Em cinco minutos ele estava adormecido...

Mulder acordou com os gritos de Maleah. Pulando do sofá, ele ignorou a visão turva e o chão balançando sobre seus pés e entrou correndo no quarto. A menina estava sentada na cama, os grandes olhos amendoados imensos de medo estudando o lugar onde estava cuidadosamente. Quando eles focalizaram Mulder, ela abriu um sorriso enorme por entre as lágrimas correndo por seu rosto e lutou para pular da cama. Fox se ajoelhou e abriu os braços. Maleah correu e pulou sobre eles, escondendo o rosto em seu pescoço.

"Papai..."

* * *

Maleah lambia os lábios, espiando enquanto Mulder esquentava a mamadeira no meio da madrugada para ela. Os cabelos de um cacheado rico estavam agora presos num rabo de cavalo alto na cabeça. Os olhos travessos seguiam o pai para onde quer que ele fosse. Ela estava usando uma das blusas de Mulder e quando ela andava, a barra arrastava no chão.

"Para minha princesinha."

Mulder colocou a mamadeira cheia de leite com chocolate em frente a menina e Maleah abriu um sorriso de 200 volts e estendeu os braços para o pai. Fox sorriu de volta e pegou a menina no colo, depois a mamadeira. Andando até o sofá, Mulder se esticou na mesma posição que estava antes de Maleah acordá-lo e colocou a menina deitada de lado sobre seu peito. Ela tirou a mamadeira das mãos dele e começou a beber, esfregando o narizinho pequenino e arrebitado no pescoço do pai.

Mulder fechou os olhos e lembrou da última vez que havia feito isso. 3 meses atrás. Maleah havia chorado quando ele dissera que tinha que ir. Ele quase sucumbiu mediante aos olhos cor de caramelo rasos d'água, implorando a ele que não a deixasse. Mulder soltou um palavrão. A filha deveria estar em com uma prima dele, não no meio de uma floresta. Eram apenas 40 quilômetros de distância da casa onde Maleah estava, mas para uma menina que mal havia completado 4 anos, era um mundo. E mesmo assim ela tinha percorrido todos os 40 quilômetros, fugindo do marido bêbado da tia, que aparentemente espancava não só Christine, como os próprios filhos e Maleah também. E Mulder jurou que nunca mais iria deixar a menina com mais ninguém. Ela era dele e era com ele que deveria ficar. Para a idade, Maleah era muito madura para certos assuntos, mas extremamente carente. Ainda mais quando estava com o pai. A posição que eles se encontravam agora era a posição preferida de Maleah para assistir aos desenhos animados na TV pela manhã. E para dormir, ela tinha que estar no colo, enquanto a pessoa andava de um lado para o outro.

Mulder guardava pequenos objetos da menina em uma das gavetas da cômoda. Duas mamadeiras, três chupetas coloridas, algumas roupas que não cabiam mais nela, uma escova para pentear os cabelos avermelhados da filha e o shampoo de morango do qual ela gostava tanto. Bocejando, ele olhou para baixo e viu a mamadeira meio torta na boca da menina, o que significava que ela estava quase adormecida. Tirando a garrafa de plástico cuidadosamente das mãos dela ele a colocou sobre a mesa de centro e levantou. Maleah protestou com um gemido baixo, mas abraçou seu pescoço e suspirou. Fox a deitou na cama e depois de se despir e vestir as calças do pijama, entrou debaixo das cobertas também, sorrindo quando Maleah abriu olhos turvos de sono e engatinhou para cima dele, na mesma posição do sofá. Ele sentiu o nariz novamente sendo esfregado em seu ombro e deixou a respiração ritmada em seu pescoço embalá-lo para a inconsciência.

* * *

Um shopping às 5 horas da tarde de um sábado era o último lugar que alguém acharia Fox Mulder. A não ser por aquele dia. Maleah corria de uma prateleira a outra na loja de brinquedos, as mechas vermelhas esvoaçando cada vez que as perninhas pequenas e ligeiras a levavam rapidamente de um brinquedo a outro. Mulder chamou por ela e foi procurá-la quando ela não respondeu. A encontrou em frente a uma vitrine, olhando para uma linda boneca de porcelana na prateleira mais alta. A boneca tinha uma vestido azul cor do céu e longos cachos vermelhos. Os olhos eram de um verde pálido e a perfeição dos traços era indescritível. Nas mãos, ela tinha amarrado um pequenino urso de pelúcia e na cabeça um arco da mesma cor do vestido. Mulder pegou a menina no colo e observou o modo como ela observava o brinquedo, os olhinhos brilhando. Ele tocou no ombro dela e esperou que ela virasse.

"Princesa, você quer aquela boneca?"

Ela olhou para ele como se ele houvesse lhe oferecido o mundo e então abraçou o pai pelo pescoço, assentindo. Mulder passou uma mão pelas costas da filha e soltou um palavrão. Eles deveriam ter parado na loja de roupas infantis antes. Maleah ainda usava a camisa dele e os tênis rosa e estavam olhando para ele como se ele fosse a pior das criaturas. Mulder chamou uma das atendentes e apontou para a boneca desejada pela filha. A jovem o olhou meio estranhamente, mas assentiu e retirou o precioso brinquedo de dentro da vitrine. Caminhando até o caixa, ela começou a embrulhar a boneca quando Mulder balançou a cabeça em negativa, dizendo que a menina iria levá-la nos braços. Ele deu o cartão de crédito para ela e ela deu a boneca para Maleah, cujo sorriso iluminou a loja. Os gestos com a mão traduziam o que ela queria dizer.

"Boneca bonita, papai..."

Mulder beijou os cabelos da menina e assentiu.

"Sim, querida. Muito bonita. Agora vamos comprar algumas roupas para você, está bem?"

Fox perguntou, tendo certeza que ela estava olhando para ele. Maleah respondeu sorrindo.

"Está bem, papai."

Mulder esperou a vendedora lhe devolver o cartão, assinou o boleto e saiu com a filha da loja, em direção à primeira loja de roupas infantis que encontrou. Saiu de lá carregando mais sacolas do que podia, com Maleah, agora vestindo um lindo vestido amarelo de babados com um arco da mesma cor nos cabelos e sapatinhos de verniz preto sobre meias de babadinho brancas. A boneca estava em seu braço bom e a menina caminhava ao lado do pai, segurando em uma das pernas de sua calça com os dedos que apareciam de dentro do gesso. Mulder foi rapidamente até o estacionamento para deixar as sacolas no carro e os dois foram para um restaurante. A fila estava grande, mas Maleah queria comer ali, então Mulder ficou lá. A menina aproveitou um momento de deslize do pai para entrar no restaurante. De repente, uma mulher com os cabelos iguais aos seus chamou sua atenção. Ela era tão bonita quanto sua boneca. E sentada em frente a ela estava uma mulher com os olhos mais bonitos que Maleah já havia visto. A curiosidade a fez caminhar até elas e parar ao lado da mesa.

Scully levantou os olhos e de repente se viu olhando para a mais bela menininha que já havia visto em toda sua vida. Os cabelos eram da cor dos seus, mas os olhos dela lembravam os olhos de Mulder.

"Olá...como é o seu nome, meu amor?"

Maleah estudou Scully por alguns segundos e então sorriu. Dana não conseguiu reprimir um sorriso em resposta e acariciou os cabelos da cor dos seus.

A menina não falou nada, apenas estendeu os braços, pedindo para ser pega. Scully riu, mas levantou a menina e a sentou em seu colo. Maleah, num gesto de meiguice, apoiou a cabeça entre seus seios e pousou uma mão no braço que a mantinha no lugar.

A todas as perguntas que Dana fazia ela recebia nenhuma resposta. Maleah continuava a brincar com a boneca, olhando para baixo e fazendo pequenos sons infantis.

Scully estava prestes a fazer mais uma pergunta quando uma voz muito bem conhecida soou pelo restaurante.

"Maleah! Pelo amor de deus, você quase me matou de susto!"

Vendo que a menina estava olhando para baixo, Mulder tocou seus cabelos. Foi o suficiente para que os grandes olhos amendoados se focalizassem nele e um grande sorriso estampasse seu rosto

Quando Scully olhou para cima, sua boca estava aberta e os olhos arregalados. Seu coração parecia que ia fugir do peito. Maggie Scully estava mais ou menos na mesma situação. Mulder estava olhando para a parceira com uma expressão culpada nos olhos.

"Papai! Ela é bonita!"

A série de gestos confundiu ainda mais Scully por um momento, até ela entender que a menininha era surda. Mulder respondeu com mais gestos e a tocou novamente nos cabelos.

Ele desviou os olhos de Scully e os focalizou na filha, que tinha um sorriso inocente no rostinho gorducho e a cabeça ainda apoiada no vale entre os seios de Scully e o braço saudável segurando a boneca.

Lutando contra seu coração acelerado ao ponto de um ataque cardíaco, Mulder ajoelhou em frente a filha e passou uma mão pelos cachos vermelhos.

"Nós temos que ir agora princesa. Vamos..."

A menina assentiu e esfregou o olho direito, bocejando. Mulder levantou e a pegou no colo. Scully continuava olhando para ele, mas o choque tinha dado lugar à raiva e os olhos azuis brilhavam. Ele meteu a mão no bolso e tirou uma chupeta de lá, colocando na boca da filha e passando novamente a mão pelos cabelos dela quando ela afundou o rosto em seu pescoço. À beira do desespero, ele olhou para Scully e engoliu em seco.

Sua boca abriu várias vezes e nada saiu. Então com um curto movimento de cabeça ele virou as costas e arrancou para fora do restaurante.

* * *
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MensagemAssunto: Re: (Indicação - FanFic) Maleah   Qui Set 11, 2008 4:58 pm

Parte 3



Mulder chegou em casa com os joelhos prestes a dobrarem. A camisa grudava nas costas com o suor. Maleah estava adormecida em seu colo, e ele carregava a boneca no braço livre. O outro estava tão adormecido quanto a menina sendo segura por ele. Ele não tinha a mínima idéia como iria explicar a situação para Scully. E ela iria caçá-lo até os confins do inferno. Suspirando, Mulder pagou uma gorjeta ao porteiro que carregara as sacolas com as roupas e sapatos de Maleah.

Ele despiu a filha, vestiu uma de suas camisas nela e a colocou na cama, a boneca debaixo de seu braço quebrado. Afundando o rosto nos cachos avermelhados, ele chafurdou um pouco, inalando o cheiro de morangos que lhe era tão comum e que estava permanentemente queimado em sua memória. Maleah suspirou e virou o rosto para ele. Mulder depositou um beijo no narizinho pequenino e a cobriu.

As sacolas estavam espalhadas pelo chão. Ele precisaria de um apartamento maior. Droga, ele estava realmente muito cansado. Correndo uma mão pelos cabelos, fazendo com que as mechas se arrepiassem para todos os lados, ele sentou no sofá e pegou o telefone e o jornal em cima da mesinha. O anúncio de um apartamento de dois quartos no prédio da parceira estava ali como uma brincadeira do destino. Antes que ele perdesse a coragem, seus dedos estavam voando pelas teclas e sua boca fechando o contrato. Eles se mudariam em três semanas.

Jogando o jornal e o telefone na mesa em frente à ele, Mulder deitou, olhando para o teto que parecia desta vez, longe demais. Ele sorriu. A porra do teto era o mesmo há anos. Mas o problema não era o teto. Era quem morava debaixo dele. Fox Mulder estava com medo. Ele estava com medo de perder a melhor coisa em sua vida, mas se Scully fizesse essa escolha, ele não poderia fazer absolutamente nada para impedir. Especialmente depois que ela soubesse de toda a verdade. Ela nunca o perdoaria por esconder durante tanto tempo tudo que ela mais queria na vida. Sua filha.

* * *

Dana Scully estava muito puta. Na verdade, ela estava muito confusa, mas puta também. Sentada no sofá, Scully enfiou a colher no pote de sorvete e depois na boca. O telefone parecia encará-la e dizer "Me pegue, me pegue. Me disque, me disque. Telefone em mim, vai...". Maggie Scully também havia se surpreendido com o pequeno anjo que pedira para sentar no colo da filha. Mas a surpresa maior fora ver o gesto designado para a palavra papai sendo feito pelas mãos gorduchas. E Mulder percebera que ela sabia. Ela tinha lido nos olhos dele que era verdade. Que aquela menina era mesmo filha dele.

Incapaz de ficar sentada por mais um minuto sequer, Scully levantou, pegou as chaves do carro em cima da mesa e saiu do apartamento, batendo a porta.

Foram 30 minutos para chegar ao prédio dele, cinco para subir correndo as escadas, dois para respirar e mais um para chegar até a porta do apartamento. Scully mordeu o lábio inferior, ruminando sobre a possibilidade de correr dali. Mas Dana Katherine Scully nunca fora covarde e não começaria agora. Levantando um punho fechado, ela bateu duas vezes e esperou. Exatos três minutinhos depois, Mulder abriu a porta, os olhos meio fechados numa expressão sonolenta. Ele esfregou o olho esquerdo e bocejou antes de dar um passo para o lado e deixá-la entrar.

"Você me deve explicações, Mulder."

Ele passou uma mão pelos cabelo desgrenhados e sentou no sofá. Scully o acompanhou, sentindo a quentura no couro onde Mulder estava deitado. O ar parecia ter se transformado em fumaça. Estava difícil respirar, especialmente para Mulder. Engolindo em seco, ele olhou para a porta do quarto onde Maleah ainda dormia pacificamente em sua cama. Dali a alguns minutos ela iria acordar. Ela sempre acordava de madrugada. Um hábito desde bebê que Mulder não conseguira quebrar nunca. Olhando para Scully, ele piscou duas vezes e cruzou as mãos no colo. Precisava tocá-la, fazer amor com ela, mas sabia que não seria tão bem vindo como antes.

"Por que não me disse que tinha uma filha, Mulder?"

Não podia mais sustentar o olhar azul sem derreter numa poça de lágrimas aos pés dela. Baixando os olhos para os tacos desgastados do chão, Mulder abriu a boca e juntando coragem, falou.

"Ela não é minha filha, Scully."

Ele olhou novamente para ela e suspirou.

"Ela é nossa filha."

* * *

Por cinco segundos a ficha não caiu. Scully mantinha o olhar nele, sem piscar. Quando ela piscou, Mulder soube que ela havia digerido a notícia. Seus olhos endureceram de incredulidade, sua boca alinhou-se, reta e impassível e sua sobrancelha subiu. Os dedos com unhas com manicure perfeitas se crisparam e as mãos de fecharam em punhos.

"Ela é o que?"

"Quando Emily estava no hospital, eu fui a um asilo. Lá eu encontrei não só o medicamento de Emily como também um pequeno berçário. Cada berço tinha uma etiqueta com o nome do pai e da mãe. Eu rodei um pouco até ver uma menininha que chamou minha atenção pelos cabelos vermelhos. A etiqueta do berço dela estava com o seu nome e o meu. Eu peguei o bebê e saí dali. Eu decidi não dizer nada, porque queria fazer alguns testes nela, saber se não era igual à Emily. Ter certeza que era saudável, antes de contar tudo a você. Então descobrimos que ela era surda. Eu quis protegê-la Scully. E com tudo que estava acontecendo conosco, eu não poderia dar mais esta arma à eles. Não poderia. Deixei Maleah com uma prima minha e alguns dias atrás ela escapou da casa deles e correu até um hotel alguns quilômetros de distância. Como ela conseguiu eu não sei. Eu cheguei no hotel para pegá-la e decidi ali que contaria tudo a você."

O sangue latejava nos ouvidos de Dana e ela ouvia tudo com a mesma expressão. Quando ele terminou, ela levantou e esperou que ele a acompanhasse. O tapa ecoou por todo o apartamento. Virando as costas, ela andou até a porta e foi embora.

* * *

"Vocês não podem levá-la! Scully, por favor..."

Maleah esperneava e estendia os braços para o pai, que estava sendo segurado por dois policiais. Outro policial saiu do quarto de Mulder carregando uma bolsa com as roupas da menina.

"Scully..."

Ele murmurou uma vez mais antes de desistir completamente. Olhou para o chão e parou de tentar escapar. Os policiais mantiveram as mãos, bem apertadas em seus braços, mas ele já não sentia mais nada. Nos braços da mãe, Maleah também desistira e os gritos desesperados haviam se tornado soluços agonizados. Ele olhou mais uma vez para a menina e sussurrou um 'Eu te amo'. A resposta se perdeu quando Scully saiu do apartamento em direção ao elevador.

"Senhor Mulder, o senhor terá que nos acompanhar."

Mulder olhou para o policial que aparecera à sua frente e engoliu em seco, tentando deslocar o bolo em sua garganta. Lágrimas, quentes e grossas escorriam sem parar de seu rosto.

"Posso dar um telefonema antes? Por favor?"

O policial assentiu relutante e estendeu um telefone celular à ele. Mulder discou. A mão tremia tanto que por duas vezes o telefone quase caiu. Do outro lado da linha, a secretária eletrônica atendeu.

"Gente, sou eu. Scully levou Maleah embora e eu estou sendo preso. Façam um favor e venham aqui mais tarde, pegar a boneca da menina que ela esqueceu e entreguem a ela, por favor. Maleah não dorme sem aquela boneca."

Desligando, ele estendeu o telefone para o policial e se deixou levar para a viatura do lado de fora do prédio.

Scully colocou Maleah na cadeirinha no banco de trás do carro e olhou para ela por alguns minutos. A menina encarava o vazio, a chupeta que a mãe havia colocado em sua boca poucos minutos atrás se movendo num ritmo pausado e entediante. Suspirando, Dana sentou no banco do motorista e arrancou com o carro.

* * *

"Então?"

"Ela já está com a criança e ele foi condenado a 3 anos."

Bill Scully sorriu e desligou o telefone. Ele olhou para Dana, sentada no sofá, observando Maleah que estava sentada no chão, assistindo a uma fita de desenhos na TV. Seu sorriso aumentou. Ele fez o que era certo.

* * *

Scully olhou para a filha adormecida. A menina estava morando com ela por quase dois meses e nem sinal de Mulder. Ele não ligara, nem tentara manter contato. Dana fingia que não, mas estava preocupada. Ela sabia que ele era apaixonado por aquela criança. Suspirando, ela levantou e mandou mais um olhar para o corpo imóvel da criança na pequenina cama de solteiro. O quarto era todo decorado com anjos e as paredes e teto haviam sido belamente pintadas. Mas Maleah parecia não perceber nada. Scully não conseguira arrancar uma palavra da boca da menina em todo o tempo que estava com ela.

Seus devaneios foram interrompidos quando a campainha tocou. Ela levantou e saiu do quarto, encostando a porta.

"Byers? O que você está fazendo aqui?"

O mais elegante dos Pistoleiros Solitários abriu um sorriso forçado para ela e estendeu o braço esquerdo. Uma belíssima boneca de porcelana estava presa entre os dedos dele.

"Mulder ligou para nós há alguns meses atrás. Só que nós estávamos viajando e chegamos ontem. Você esqueceu a boneca de Maleah no apartamento dele. Ele disse que ela tem problemas para dormir sem esta boneca."

Scully estendeu a mão e pegou a boneca. Byers fez um gesto com a cabeça e virou para ir embora.

"Byers!"

Ele virou e Scully engoliu em seco, passando uma mão pelos cabelos.

"Como ele está?"

Byers deu de ombros, mas olhou para ela com uma expressão curiosa.

"Não sei. Ainda não fomos visitá-lo. Vamos amanhã. Eu ligo para dar notícias, se você quiser..."

Scully assentiu e agradeceu. A porta fechou com um clique alto e ela andou até o quarto onde Maleah ainda dormia. Ela colocou a boneca debaixo do braço agora não mais engessado da filha. Todo dia ela dizia a si mesma que fizera o certo. Que não poderia sentir pena de um homem que escondera dela a própria filha por tanto tempo.

* * *


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MensagemAssunto: Re: (Indicação - FanFic) Maleah   Qui Set 11, 2008 5:01 pm

Cont... Parte 3

"Scully."

Os gritos de Maleah ecoavam pelo apartamento. Scully equilibrava o telefone entre o ombro e o pescoço, tentando desesperadamente escutar o que a pessoa do outro lado da linha estava falando. Maleah, as mãos pretas de carvão, esperneava no colo da mãe. Suspirando, Scully colocou a menina no chão e praguejou quando ela voltou para o tapete, já imundo, e deitou, sujando mais as roupas e o corpo.


"Scully? Sou eu, Byers..."

Dana sentou no sofá e engoliu, sentindo como se tivesse engolido um punhado de areia.

"Byers, o que houve?"

"Nós fomos visitar Mulder hoje."

"E como ele está, Byers?

O pistoleiro solitário demorou um pouco para responder, talvez querendo ter certeza que ela estava sendo sincera ao fazer a pergunta.

"Não pudemos vê-lo."

Scully franziu a testa e passou uma mão pelos cabelos.

"Como assim, não puderam vê-lo? Ele tinha saído?"

"Scully, não creio que Mulder esteja saindo para lugar algum durante algum tempo. Afinal, na cadeia nós não podemos fazer tours pelo país, não é mesmo?"

O telefone quase caiu da mão de Dana. Ela pressionou o aparelho com mais força no ouvido e deu um grito quase histérico.

"CADEIA? Do que você está falando, John?"

"Scully, é impossível você não saber disso. Foi o seu advogado que entrou com o processo..."

"Meu advogado? John, eu não pedi a ele que entrasse com processo nenhum para prender Mulder. Eu simplesmente queria a guarda da menina."

"Você está falando sério?"

"John..."

"Scully, ele foi condenado a 3 anos por seqüestro. O advogado alegou que ele seqüestrou a menina e a manteve em cativeiro durante 2 anos. Alegou maus tratos, mostrando fotos do braço quebrado e de situações inocentes entre pai e filha que fotografadas foram transformadas em algo doentio."

"Oh meu deus! E vocês não conseguiram visitá-lo?"

"Não conseguimos visitá-lo porque ele não estava lá. Nós estamos no hospital memorial agora. Mulder deu entrada aqui ontem."

"Hospital? O que aconteceu??

"Pneumonia. Ele está em estado grave. Uma anemia anterior prejudicou seriamente o sistema imunológico."

O corpo todo de Scully tremia. Ela fechou os olhos e pressionou a palma da mão contra eles.

"John, esperem por mim aí, sim? Eu já estou indo."

"Está bem. E Scully, prepare-se para o que você vai ver. Ele está longe de ser o mesmo homem que você conheceu."

Scully desligou sem responder. Caminhou até onde Maleah estava sentada pintando. Ela colocara sombras e planos de fundo que nem o artista mais talentoso conseguiria superar.

"Maleah, querida, nós temos que sair agora."

Scully gesticulou para a menina e suspirou quando ela estendeu o desenho e gesticulou de volta.

"Papai."

Dana agarrou a menina pela cintura e a carregou para o banheiro. Deu-lhe um banho rápido, colocou nela um vestido azul e sapatinhos pretos de verniz com meias brancas de babado. Enquanto a menina brincava com a boneca no chão, Scully aproveitou para tomar banho, trocar de roupa e as duas saíram.

Duas semanas antes do natal, o frio era cortante. O hospital estava gelado e muito cheio. Scully correu até o balcão de informações, Maleah tropeçando atrás dela. Depois de 10 minutos e de ter que apavorar 3 enfermeiras com sua insígnia, Scully conseguiu encontrar os três pistoleiros solitários, sentados nos desconfortáveis bancos ao lado de um quarto. Um guarda estava sentado nos bancos opostos, assoprando um copo descartável de café fumegante. Os três se levantaram assim que a viram e Byers abriu os braços para uma Maleah que corria desvairada em sua direção.

"E então?"

"Ele está melhor. Mas a médica disse que se ele voltar para a prisão agora, a próxima visita dele ao hospital será para o Morgue."

"Eu quero vê-lo."

As palavras estavam saindo de sua boca antes que ela pudesse impedir. Corando, Dana desviou os olhos da porta do quarto para as três figuras à sua frente. Langly pegou a menina do colo de Byers e sorriu para ela antes de virar para Scully, estudando-a por detrás dos óculos de aro fino.

"Por que?"

Ela podia até fingir que não entendera a pergunta, mas a verdade era que ela mesma estava se perguntando a mesma coisa. Por que você quer vê-lo se no tribunal fez o possível para que ele parecesse a pior pessoa que já andou na face da terra? Por que quer vê-lo quando pediu ao juiz que todas as visitas dele fossem vigiadas? Por que quer vê-lo quando ele implorou a você que não tirasse a menina dele e você o ignorou completamente?

"Porque eu o amo. Apesar de tudo, eu o amo."

Frohike olhou para ela, as mãos enfiadas no bolso do sobretudo.

"Ela era tudo que ele tinha, você sabia disso? A idéia foi nossa sobre mantê-la sobre segredo durante um tempo. Quando vocês se tornaram um casal, um casal de verdade, ele queria contar, mas nós o coagimos. Queríamos ter absoluta certeza que a menina ficaria bem. Mulder iria largar o FBI e te pedir em casamento e então explicar a você a situação de Maleah."

A garganta de Scully se fechava a cada palavra que Frohike pronunciava. Ele passou uma mão pelos cabelos avermelhados da menina e sorriu para ela.

"Você sabe o que significa Maleah?"

Scully balançou a cabeça em negativa.

"Maleah significa garotinha única. Mulder deu esse nome a ela muito antes de saber que ela sobreviveria. Quando ele encontrou Maleah ela tinha quase dois anos, não falava uma palavra, não andava e sua visão estava muito prejudicada. Seu peso era baixo demais para uma criança daquele tamanho e a situação de higiene também era péssima. O médico deu poucas chances de sobrevivência e por meses ele ficou ao lado dela a cada minuto que podia. Ela foi operada e agora enxerga perfeitamente. Eles a deixaram lá para morrer porque a consideravam uma experiência que deu errado."

"Eu não sabia."

De algum modo, eles pegaram as fotos que tiramos quando ela ainda era um bebê cheio de marcas, raquítico e doente e fizeram parecer como se fosse maltrato. Scully, ele ama aquela menina e seu advogado transformou este amor em algo doentio."

"Ele não era meu advogado. Era advogado do meu irmão Bill e..."

Os pistoleiros olharam para ela e Scully sentiu seu rosto corando de raiva. Engolindo em seco, ela contou lentamente até 10.

"Eu quero vê-lo."

Byers assentiu e apontou para Maleah.

"E Maleah?"

Scully beijou a filha no rosto e sorriu.

"Fiquem com ela por um minuto, sim?"

Os três homens assentiram e Scully abriu um pequeno sorriso. Suas pernas tremiam e ela podia sentir o coração subindo por sua garganta. Respirando fundo, ela girou a maçaneta da porta e entrou. Ele estava deitado na cama, imóvel o suficiente para Dana sentir calafrios na espinha. Ela deu alguns passos à frente, tentando respirar pausadamente e acalmar seu coração. Ele deu uma parada e voltou a bater quando ela finalmente conseguiu colocar os olhos direito no ex parceiro. Ele estava mais magro. Muito mais magro. Os olhos estavam fundos e manchados com olheiras e a pele pálida, como se ele estivesse estado doente por muito tempo. Os cabelos estavam mais curtos, rentes à cabeça em um corte espetado.

Os braços estavam estendidos ao longo do corpo e as mãos pousadas no lençol imaculadamente branco. Ele parecia doente. Ele parecia pertencer àquela cama de hospital e isto a estava apavorando mais do que qualquer ferimento poderia. Dando mais dois passos à frente, ela sentiu a beira da cama em sua barriga e olhou para baixo. A visão, de perto, era ainda mais assustadora que a de longe. Seus dedos tremeram quando ela levantou uma das mãos, na intenção de tocar alguma parte dele. Qualquer parte. Ela conhecia aquele corpo melhor que o seu próprio. Tudo nele, cada curva, cada vale, cada osso e músculo. As mesmas mãos que tremiam ao tocá-lo agora, haviam tremido na primeira vez que eles se encontravam nus, surpreendentemente não no sofá dele, como ela imaginara diversas vezes, ou na cama dela. Mas no chão. No chão da velha casa da mãe dele. As mesmas mãos que agora tremiam, tremeram ao acariciá-lo antes, ao levá-lo a loucura vezes e vezes. Tremeram ao agarrar os lençóis, quando ela, era incapaz de fazer algo além de respirar e gemer.

Aquele homem, tão diferente agora, tinha feito ela rir, rido com ela, chorado com ela. Finalmente, a mão foi pousada na pele fria do pulso de Mulder. Os dedos se fecharam ao redor dos ossos e Scully praguejou contra um irmão que não parecia mesmo pertencer à mesma família que ela. O formigamento atrás da garganta e a queimação nos olhos a pegaram de surpresa e ela não pode impedir as lágrimas de rolarem, de queimarem seu rosto, não como lava, mas sim como gelo, fazendo-a plenamente consciente de sua presença.

Do lado de fora do quarto, Maleah esperava, sentada numa das desconfortáveis cadeiras de plástico, a boneca de porcelana agarrada junto ao corpo. Os pés pequeninos balançavam para frente e para trás, muito longe de alcançar o chão. Os cachos vermelhos balançavam suavemente em sintonia com o corpo e as pernas. Os grandes olhos amendoados observavam as pessoas ao seu redor com estranha empatia para alguém daquela idade.

Ao seu lado, um anjo podia ser visto, todo de branco. Emily Sim virou o rosto para olhar para a irmã, o cenho franzido. Levantou uma mão e tocou os cabelos da menina com cuidado. Maleah se limitou a olhar para frente. Uma das mãos pequeninas pegou a chupeta que estava pendurada em seu pescoço e colocou na boca. No corredor, figuras caminhavam, entrando e saindo das paredes, algumas com a aura enegrecida, outras brancas como neve. Emily suspirou e continuou acariciando o cabelo da irmã. Os cachos se moviam suavemente onde a mão dela estava, mas além disso, sua presença passava despercebida, porque ela estava morta. Maleah chutou o ar mais uma vez, a boneca presa apertada em seus braços, os olhos vazios. Muito iguais aos de uma outra garotinha. A mesma garotinha que agora sentava a seu lado, acariciando seus cabelos e tentando oferecer, em sua inocência, algum conforto.

E dentro do quarto, Scully passou a mão uma última vez pelo rosto do parceiro e o beijou suavemente nos lábios. Ela precisava cuidar de sua menininha...Saiu do quarto em silêncio, fechando a porta com cuidado. Sorriu para os três pistoleiros solitários e disse que precisava ir para casa, cuidar de Maleah, e que voltaria no dia seguinte. Então caminhou até onde a filha estava sentada, na mesma posição que ela utilizava com freqüência. Fechando os olhos, Scully lembrou, por um segundo, do rostinho sorridente e corado, dos olhos brilhantes que tinha visto em sua primeira visita a menina. O fato de ela a conhecer como sua mãe no começo a espantou, então concluiu que Mulder devia ter explicado as coisas para a menina depois.

O orgulho ainda embaçava a maioria de suas decisões. Ela ainda tinha raiva por saber que por dois anos inteiros ela ficara sem conhecer a filha que tanto queria. A filha que ela chorara tanto por não poder ter. Ele compartilhara com ela a agonia de ver outras mães, com bebês sorridentes e gorduchos e mesmo assim, mesmo assim ele escondera dela a filha.

Devagar, Scully ajoelhou em frente à filha, observando a mudança na cor dos olhos, antes de um caramelo vivo, agora beirando um verde mais escuro. Era a mesma transição que os olhos do pai faziam quando ele estava muito ferido com algo. Ela balançou a cabeça, num gesto teimoso de negação e colocou uma mão no braço de Maleah. Os olhos da menina perderam a aparência embaçada e se focalizaram no rosto da mãe. Por um minuto, Scully viu os olhos dela ganharem o antigo brilho antes de retornarem ao tom opaco dos últimos meses.

"Leah, querida...nós temos que ir agora."

Maleah continuou a olhar para ela com aqueles olhos. Scully levantou e a pegou no colo, pousando uma mão nas costas, acariciando devagar. O outro braço a sustentava abaixo das coxas. Maleah bocejou e pousou a cabeça no ombro da mãe, segurando a boneca contra o corpo com cuidado, a outra mão pressionada contra o vale entre os seios de Scully.

* * *

_________________
Beijinhos;)
Thita



*Ser feliz não é ter uma vida perfeita, Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios e perdas... Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história...*
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MensagemAssunto: Re: (Indicação - FanFic) Maleah   Qui Set 11, 2008 5:06 pm

[size=13]Parte 4


APARTAMENTO DE SCULLY 6 MESES DEPOIS 4:23 PM

Scully observou Mulder brincando com Maleah no chão da sala. A assistente social estava sentada no sofá, lendo um relatório e ocasionalmente mandando um olhar ou dois para Mulder e Maleah quando ele fazia algum movimento diferente. As olheiras haviam sumido, assim como a palidez e ele estava novamente com o peso anterior. Porém na maioria das vezes, os olhos dele se mantinham daquela cor esverdeada. Fria e morta. Assim como os de Maleah. Os únicos sorrisos que Scully já havia visto a filha dar, haviam sido na presença do pai.

Mulder não estava mais preso, os pistoleiros solitários e o advogado tinham sido muito eficientes. Bill Scully ainda tinha o olho meio roxo do soco desferido pela irmã. Dana não gostava do fato de ter uma assistente social na sua casa, observando cada passo que Mulder dava, mas estava com tanta raiva, mas do que isso, inveja e magoada pela filha não amá-la, e ter adoração pelo pai. E estava claro pelo modo como ele tratava a menina, como seu rosto se iluminava, que ele sentia o mesmo. Maleah era literalmente a garotinha do papai e Mulder a amava como Scully nunca havia visto ele amar nada.

"Senhor Mulder, o horário da visita está terminado."

Dana estava prestes a abrir a boca para dizer a assistente social que ela realmente não se importava se eles ficassem um pouco mais quando Mulder levantou os olhos da filha e abriu um sorriso que Scully conhecia muito bem. O Conquistador nº9 retornava, depois de tanto tempo, direcionado a outra mulher.

"Yasmin, só mais meia hora, por favor?"

YASMIN? YASMIN? O que acontecera com o frio Dr. Weiss de algum tempo atrás? "Yasmin" abriu um sorriso envergonhado e tanto ela quanto Mulder olharam para Scully. Dana se retraiu numa concha e mandou um olhar irritado para o ex-parceiro.

"Infelizmente eu fiquei de visitar minha mãe hoje e tenho que sair em uma hora e preciso arrumar Maleah e me arrumar e dar comida a ela e..."

"Eu já entendi, Scully, está bem?"

O olhar dele era duro e frio, mas se amaciou imediatamente ao olhar para a filha. Os olhos de Dana se fecharam quando ela sentiu a dor como um golpe físico no peito. Nem pai, nem filha...nem pai, nem filha...Suspirando, Scully abriu os olhos e percebeu que Mulder estava olhando diretamente para ela. A expressão cuidadosamente neutra e os olhos ainda mais frios. A assistente se levantou, espanando a saia e a blusa com cuidado. Mulder acompanhou, Maleah em seu colo e eles andaram juntos até a porta. Os gritos da menina começaram no momento que Scully parou em frente a Mulder e a agarrou pela cintura, querendo tirá-la do colo do pai para este se despedir. E de repente, tudo parecia ser demais. Ela estava tentando tão duramente ser a mãe que Maleah nunca teve, em amar, não, ela já amava aquela garotinha que nunca falava com ela ou sorria para ela, mas amava o pai com todas as forças. Ela só queria um pouco desse amor de volta.

No começo, Dana achava que com o tempo, Maleah iria aceitá-la, mas agora ela via ser inútil. Yasmin olhou para Dana uma vez e sorrindo num pedido mudo de desculpas se foi. A agente sentiu a sensação de queimação no fundo de sua garganta, o estômago se contorcendo e sabia que ela estava a um minuto de ter um colapso nervoso. Ela agüentara um inferno durante quase um ano para ter aquela menina em seus braços, para amá-la como sempre desejara amar uma criança e era muito difícil para ela ter não só que ver enquanto a filha dava ao pai toda a atenção que negava tão rudemente a ela como também assistir o olhar de Mulder se focalizar, morno em outras mulheres e se tornar frio no momento em que eles pousavam nela. Sentindo os joelhos fracos, Scully deixou Maleah nos braços do pai e andou até o quarto da filha. Com uma rapidez que ela nunca teria se não estivesse à beira de um colapso, Dana colocou algumas roupas em uma mochila, uns poucos brinquedos e voltou para a sala. Ela podia sentir algo nela se quebrando em mil pedaços. As lágrimas borbulhavam em sua garganta, prestes a quebrar a barreira imposta por ela. E se Dana Scully começasse a chorar, ela não pararia aí.

"Pode...humm...levá-la por alguns dias...digo...até segunda-feira..."

Droga! A voz dela estava engrossando, pausando. Scully sentiu o fundo de sua garganta ardendo e lágrimas lhe subirem as olhos. Mordendo a língua com força, ela engoliu o choro e levantou os olhos para olhar para o parceiro. Mulder puxou o ar com força e então uma mão levantou, intencionando tocá-la, em qualquer maneira. Os olhos de Scully faiscaram esperança. Os olhos de Mulder faiscaram preocupação. Então ele deixou a mão cair de novo ao lado do corpo e os olhos se tornaram novamente verde frios.

"Você tem certeza?"

Scully mal sentiu sua cabeça se mexendo em um sinal positivo. Tentou abrir um sorriso, mas pelo modo como os olhos de Mulder voltaram a se tornar preocupados, ela pensou que talvez o sorriso tivesse saído um pouco torto. Devagar, ela foi empurrando Mulder porta afora e seu coração deu mais uma batida dolorosa quando Maleah nem ao menos tentou esconder seu desagrado e desviou o rosto, quando Scully se inclinou para beijá-la. Pressionando uma mão sobre a testa, ela abriu um sorriso sem graça antes de empurrar Mulder suavemente para fora do apartamento e fechar a porta com força. Seu corpo se moveu num impulso para o stereo e suas mãos ligaram o aparelho. Dana forçou-se a ao menos caminhar até o sofá, onde desabou. O coração batia descompassado no peito, ameaçando quebrar a caixa torácica e escapar de seu confinamento. As batidas aceleradas a deixavam sem ar e as lágrimas escorrendo por suas bochechas queimavam sua pele. Seu estômago estava inquieto e náusea estava começando a aparecer. Sempre fora assim. Desde criança, estresse emocional provocava nela terríveis crises de estômago, enjôo e falta de apetite. Por isso que ela emagrecia com muita facilidade diante de uma bagagem emocional muito pesada.

Dana Scully já havia enfrentado muitas coisas em seus 7 anos de Arquivo X, já quase morrera diversas vezes, perdera membros familiares e até uma filha nunca conhecida, mas naquele momento, era seu coração que estava na balança e ele era a parte mais frágil de seu corpo. A máscara de frieza e compostura era um escudo de proteção contra um coração facilmente entregue e ferido. Quando criança, Dana sempre fora a que sentira as coisas mais intensamente, mais fundo. E logo depois de sua primeira desilusão amorosa, quando uma crise de náusea e vômito quase a mandara para o hospital, Scully prometera a si mesmo que mudaria. Que deixaria de usar seu coração nas mãos e o colocaria de volta no peito. E colocou mil barreiras para ter certeza que nunca mais ele iria sair, protegendo a parte mais fraca, com a mais forte. Seu cérebro. Mas ali estava ela, num flashback de sua juventude, quando a dor de ser traída por seu primeiro amor fora quase insuportável.

Porém, desta vez Dana Scully estava verdadeiramente com medo. Ela podia sentir algo em si se despedaçando, se alargando para acomodar um vazio que nunca antes ela havia sentido. Seu corpo parecia ter sido alvo de um atropelamento e ela estava tanto física, quanto mentalmente cansada de lutar para proteger algo que já estava agonizando em seu peito. Os soluços se tornaram fortes demais para segurar e ela começou a soltá-los, primeiro começando com um gemido baixo, até escalar para os de partir o coração de qualquer um, aqueles que fazem a respiração da gente passar buzinando pelo peito e voltar ardendo. Aqueles que dão a impressão que iremos sufocar.

You are the strength that keeps me walking You are the hope that keeps me trusting You are the light to my soul You are my purpose You're everything and how can I stand here with you And not be moved by you Would you tell me how could it be any better than this You calm the storms and you give me rest You hold me in your hands You won't let me fold You still my heart when you take my breath away Would you take me in take me deeper now

Ela se encolheu numa posição protetora, agarrando as pernas e pousando a testa nos joelhos e começou a se balançar, gentilmente para frente e para trás. Em sua cabeça, flashes de imagens desconexas flutuavam sem direção e ela só queria se desligar. O movimento das imagens se tornou tão nauseante, que ela sentiu bile subindo por sua garganta e, longe demais dentro de si mesma para ligar e correr para o banheiro ela simplesmente levantou a cabeça e vomitou no chão. Qualquer outra pessoa que chegasse ali naquele momento, não acreditaria que aquela era a verdadeira Dana Katherine Scully, mas era. Era a DK verdadeira, a DK por dentro da dura casca do escudo. Ela era a carne branca dentro da casca escura do coco.

Fechando os olhos, Scully sentiu o vazio dentro dela se expandir e ameaçar tomar conta de sua consciência. Ela deu boas vindas a ele e sentiu seu corpo amolecer, sugado pela escuridão.

* * *

Fox Mulder dirigiu para casa com a mente girando. Nem em seu leito de morte ele admitiria que sentia falta dela, mas não podia negar a si mesmo o que estava sentindo. Não podia. Era forte demais, aquela agonia no peito cada vez que ele punha os olhos nela, aquele formigamento nos dedos que ansiavam por tocá-la. Era querer vê-la todos os dias e todas as horas e estar com ela para o resto da vida. Era se apavorar ao pensar em perdê-la. Mas o amor nunca fora somente flores. Especialmente para Fox Mulder.

Ele estacionou e esperou Maleah saltar do carro. A menina estava quieta, mas seus olhos brilhavam e seu rosto estava iluminado. Porém, era o rosto da mãe dela que ele não conseguia tirar da cabeça. Quando ela levantara os olhos para olhar para ele, algo em seu estômago se retorcera porque ele tinha, literalmente visto quando algo lá dentro se apagara. Mulder presenciara o processo. E vira novamente quando Maleah recusara o beijo. Ele não devia ter ido embora. Seu coração comandou por um segundo quando ele virou em direção ao carro, mas sua mente voltou a mandar, deixando a raiva e a dor prevalecerem e sufocarem a preocupação e o amor dentro dele. Devagar, ele pegou Maleah pela mão e entrou com ela em casa.

Era uma casinha de quatro quartos, branca do lado de fora com telhado vermelho, jardins e uma cerca. Era a casa que ele tinha comprado logo depois que saíra da prisão. O quarto de Maleah ainda estava novo e cheirando a tinta, já que ela nunca estivera ali. Ás vezes podia se tornar solitário ao extremo, mas valia a pena. Tendo saído do FBI, Mulder tirara a licença para exercer a profissão de psicólogo e trabalhava em casa, num escritório que ele tinha feito no porão, que tinha entrada pelo lado de fora, por uma porta alta. Estava confortavelmente estável financeiramente e as coisas pareciam estar andando bem com Maleah. Talvez agora ele pudesse pedir a guarda da menina. Seus pensamentos voltaram para Scully, os olhos azuis perdendo o brilho e se tornando opacos, algo lá dentro deles agonizando e morrendo. O sorriso que ela havia dado que Mulder nunca havia visto. Um ligeiro levantar dos lábios que era uma bandeira branca de rendição.

"Papai..."

Mulder se desprendeu dos seus devaneios e olhou para a filha que tinha os olhos brilhando ao olhar para o quarto que agora era dela. Além de ser enorme, o quarto era todo colorido, cada parede pintada de uma cor diferente e os móveis também coloridos em tons vivos de azul, amarelo, verde e vermelho. A cama também colorida, estava do lado esquerdo, entre dois criados mudos. Do lado direito, armários embutidos iam do teto ao chão, contendo não só roupas como também brinquedos. Na parede em frente à cama, uma estante, também embutida com a televisão e um computador. As janelas eram vitrais coloridos que mandavam um arco-íris para dentro do quarto, porém protegidas por uma tela. Um sistema de alarmes eficiente estava ligado a cada janela e porta. E ainda tinha Yagi, o filhote de dálmata que já amava Maleah com todas as forças.

Sorrindo, Mulder trocou o vestido da menina por calças jeans e camiseta com um boné virado do avesso, colocou ela sobre os ombros e os dois saíram para tomar sorvete.

* * *



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MensagemAssunto: Re: (Indicação - FanFic) Maleah   Qui Set 11, 2008 5:07 pm

Cont. Parte 04


DUAS SEMANAS E MEIA DEPOIS APARTAMENTO DE DANA SCULLY 4:32 PM

Por duas semanas e meia, Mulder não viu Scully. Por telefone, eles estabeleceram, ou melhor, ele estabeleceu que pegaria a menina na escola, ficaria com ela até ás 5 horas da tarde e então a levaria para a casa da avó, onde Maleah ficaria esperando a mãe chegar do pequeno consultório que havia montado. Sua preocupação só aumentou quando Scully somente concordou e então desligou, sem discussões, sem nada. Os argumentos já estavam decorados e prontos para sair da boca de Mulder, na certeza que ela diria não, e o choque da concordância foi suficiente para deixá-lo sem fala. Agora ele estava indo em direção ao apartamento dela para pegar a menina para passar uma semana com ele visitando um grande amigo em Nova York.

Dentro da casa, Scully dava banho na filha, estranhamente apática, mas sorrindo de vez em quando, quando a menina olhava para ela. Maleah estava cantando, na alegria de saber que iria passar tanto tempo junto ao pai, atitude tão diferente da que ela tinha ao voltar para casa todo dia.

"Feche os olhos, querida."

A menina obedeceu e Scully jogou água em sua cabeça para tirar o condicionador. Rapidamente, enrolou Maleah em uma toalha cheia de bichinhos e foi com ela para o quarto. Colocando a menina em cima se sua cama, ela foi até o quarto dela e pegou as roupas. Depositando-as em cima da cama de casal, Scully enxugou a filha em movimentos automáticos e sorriu amorosamente para ela ao terminar. Maleah abriu um sorriso envergonhado e Scully sentiu a pressão das lágrimas novamente em sua garganta. Vestiu-a rapidamente, espantosamente não nos vestidos que ela apreciava tanto e sim nos jeans que o pai havia dado e a camiseta branca. Calçou-lhe os tênis e a pegou no colo, indo na direção do banheiro. Depois de secar e pentear cuidadosamente os cachos volumosos, Dana trançou-os e terminou justo quando a campainha tocou. Maleah imediatamente pulou dos braços da mãe e correu para a porta.

"Papai!"

A voz infantil que só ressoava quando Mulder estava por perto fez o coração de Dana apertar novamente e com cuidado e demorando mais do que deveria, ela pegou a mochila da menina no quarto, junto com a boneca que ela tanto adorava e a chupeta. Há dias que se sentia cansada demais para fazer qualquer outra coisa senão alimentar, dar banho e colocar a filha para dormir antes de cair na cama ela mesma. Afastando uma mecha de cabelo do rosto, suspirou e entrou na sala. Colocou um sorriso nos lábios e olhou para Mulder. Odiou o modo como ele a estudou. Estendeu a mochila para ele e a boneca e a chupeta para Maleah. Os olhos da menina eram tão inquisitivos e estudiosos como os do pai. Scully passou uma mão pelo rosto e suspirou.

"Divirtam-se lá em Nova York."

Sua voz soou estranha até para ela mesma. Suas mãos tremeram ao traduzir a frase para a filha. Assentindo, Mulder ajeitou a mochila da menina nos ombros e saiu porta afora. Scully manteve a porta aberta, observando até eles sumirem. Então, automaticamente andou até a cama e adormeceu antes mesmo de estar completamente deitada.

* * *

Mais dois meses se passaram e o aniversário da menina chegou. A festa foi na casa de Mulder, por ser maior e ele não tinha poupado esforços nem dinheiro. A festa estava linda. Enquanto o grupo de quase 20 crianças de várias idades sentava, olhando o palhaço, Scully tentava prestar atenção no que a mãe estava lhe dizendo. Seus olhos estavam focalizados em Mulder e na mãe de uma amiguinha de Maleah, Giulia. Eles estavam flertando abertamente. Quando a visão se tornou insuportável, Scully focalizou seu olhar na filha. Ela era a visão mais angelical que já tinha visto em toda sua vida. Quando olhar para a menina que não a amava também se tornou insuportável, Scully simplesmente baixou os olhos para as mãos e escutou a mãe falar.

Seu estômago estava xaropeado, nem líquido, nem sólido, numa consistência melosa, comum quando ela estava enjoada. Sua garganta estava dolorosamente fechada pelo bolo que parecia não querer se deslocar e o ar passava com dificuldade. Seus olhos pareciam estar constantemente cheios de areia e piscar ardia. Uma mão levantou e ela coçou um dos olhos e depois ficou olhando para a pele da palma, as veias azuis na pele delicada do pulso. Girou o braço e a mão e observou os ossos e logo depois os dedos. Mãos tão pequenas. Ela não deveria ter mãos pequenas. Suas mãos deveriam ser imensas para ela poder guardar todo este sentimento de dor esmagador em seu peito nelas. Levantando os olhos, ela procurou a filha, que ainda corria de um lado para o outro, três meninas com ela. Duas delas surdas. Seu olhar se desviou para Mulder e no momento em que o localizou, boca muito perto do ouvido da mãe da Giulia, uma das mãos em sua cintura, ela sabia que iria vomitar. Um sentimento de abandono subiu em seu peito e ela se levantou e correu para dentro da casa. Disparando para o que ela esperava ser o banheiro (e era), Scully trancou a porta e abaixou a cabeça. Ela engasgou e vomitou até não ter mais nada para colocar para fora. Lágrimas escorriam por suas bochechas e de repente, ela se perguntou como tinha se tornado esta pessoa tão fraca.

Levantando-se, os joelhos borrachudos, ela deu descarga e lavou o rosto e a boca na pia. A imagem no espelho estava longe de ser a imagem que ela conhecia por tanto tempo. Os olhos fundos e mortos, os ossos do rosto pulando para fora da pele. Suspirando, Scully ajeitou os cabelos despenteados o melhor que podia e saiu do banheiro. Devagar, procurou a cozinha e estava pegando um copo de água quando uma bola de pingos pretos e pêlos brancos chegou correndo-escorregando pelo chão de azulejos. O cãozinho parou e a olhou com interesse, as orelhas levantadas.

"Olá, amiguinho..."

Ela abaixou devagar e pegou o cachorrinho no colo. Ele lambeu seu rosto e Dana riu pela primeira vez em deus sabe quanto tempo. Acariciou o bichinho atrás das orelhas e esfregou o nariz no pêlo macio.

"Como é seu nome, meu amor?"

"Ele se chama Yagi.

Scully abriu os olhos e encarou o rosto do ex-parceiro, ex-amante e grande amor de sua vida. Seu coração acelerou numa velocidade dolorosa.

"É um nome bonito."

Mulder a encarou e pela primeira vez em alguns meses, se deixou estudá-la, prestar atenção nela.

Scully, dormindo de bruços na cama dela, o lençol jogado baixo em seus quadris, uma perna longa e branca, o joelho dobrado para frente escapando da massa de pano branco. As costas delgadas levando ao pescoço delicioso. Um braço ao lado da cabeça e o outro esticado para frente, procurando-o até durante o sono.

Mulder piscou, tentando tirar a memória de sua cabeça e olhou novamente para a mulher em frente a ele. Ela estava acariciando o pescoço de Yagi com um carinho que ela raramente demonstrava para ninguém mais, esses dias. Os olhos estavam fechados conforme ela roçava o rosto no pêlo macio do cachorro. Mulder baixou os olhos para os pés dela e os estudou. Tênis branco de sola fina. Subiu para as pernas bem torneadas e o vestido branco com estampas de pequeninas margaridas aqui e ali que parava em algum lugar perto de suas canelas. Foi subindo até parar no rosto sem expressão. Mas era a falta de vida nos olhos que assustava Mulder mais do que tudo. Por todos os anos que a conhecera, os olhos de Dana Scully sempre brilharam.

Estes olhos se abriram e focalizaram nele. Mulder deu um passo a frente e depois outro. Devagar, tirou Yagi do colo dela e andou rapidamente até a porta mais próxima, colocou ele lá e fechou.

"A audiência com o juiz é depois de amanhã."

Ele falou, parando em frente à Scully, tão próximo que ela podia sentir sua respiração.

"Eu sei."

A expressão de resignação assustou e irritou Mulder aos extremos. Agarrando Scully pelos ombros, ele pressionou os dedos contra a pele macia, ignorando a careta de dor.

"O QUE está acontecendo com você, Dana!"

O uso do primeiro nome dela trouxe uma expressão de susto para o rosto de Scully que foi logo substituída por outra de raiva.

"E por que você está tão interessado, FOX?"

Mulder tirou as mãos dela como se tivesse sido queimado e mandou um olhar sujo para a mulher que ele não mais reconhecia. Scully somente olhou para ele, um sentimento de irrealidade tomando conta dela, como se ela não mais soubesse se o que estava vivendo era de verdade ou se era tudo um pesadelo e ela iria acordar em sua cama, com o braço de Mulder passado por cima de sua cintura e a respiração dele ecoando em seu pescoço.

Desaparecido sem pistas, você deixou um lugar vazio, agora não há uma pedra para marcar, onde eu costumava ter um coração.

"Porque diabos você está fazendo isso, Mulder? Você GANHOU, não percebe? Depois de amanhã, o juiz vai lhe conceder a guarda. E mesmo que ele não fizesse isso, você já tem tudo. Não há mais nada que ela tenha que ainda não pertença a você. Então me deixe em paz!"

"Do que você está falando?"

Ele sabia do que ela estava falando, mas queria provocá-la, queria que ela saísse daquela letargia e voltasse a ser a Dana Scully que ele tanto amava. Cruel ao extremo, Mulder apoiou a parte baixa das costas na mesa e cruzou os braços, olhando para ela com curiosidade que beirava a falta de respeito. Por um momento, ele se perguntou como eles haviam chegado a esse ponto, no que haviam se tornado? Scully, as faces coradas, sentia algo que já estava a muito morto dentro dela voltar a vida.

"Eu quero que você me esqueça. Vá brincar de casinha com a mãe da Giulia, e me esquece. Você já tem tudo e não há mais nada que eu tenha para dar para você."

"Então é isso. Você está com ciúmes."

Ele não esperou pela resposta. Com dois passos largos, agarrou Scully pelos cabelos, puxou a cabeça dela para trás e a beijou com uma fúria que a teria assustado se ela não estivesse com tanta saudades daquele beijo. Ágil como um tigre, Mulder foi empurrando Dana aos tropeços para o quarto dele no final do corredor e trancou a porta. Eles não fizeram amor. Aquilo foi sexo puro e selvagem e não havia amor ali. Havia ódio e ressentimento, mas não amor. Quando tudo acabou, Scully sentiu a vergonha tomar conta dela. O vazio que tinha sido substituído pela flama da paixão e da raiva voltara e ela se sentiu mais que humilhada. Não havia mais para onde descer. Tremendo, Scully abotoou novamente o vestido e andou até perto da cama onde sua calcinha jazia totalmente arruinada.

Ele nem pensara em deitá-la na cama, ao menos. Scully balançou a cabeça, suspirou e mandando um último olhar para Mulder, ainda ofegante, cabeça apoiada na parede ao lado da porta ela saiu do quarto e se foi.
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Última edição por Thita em Qui Set 11, 2008 5:11 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: (Indicação - FanFic) Maleah   Qui Set 11, 2008 5:10 pm

Parte 5





CASA DE FOX MULDER 5:32 PM

Um mês depois, Mulder começou a ficar realmente preocupado. O juiz realmente concedera a guarda de Maleah a ele e dera à Scully visitas de 15 em 15 dias. E depois do dia da audiência, ela nunca mais havia telefonado ou dado a ar de sua graça. O escritório fora fechado por "motivo de doença" e no apartamento ninguém atendia o telefone ou a porta.

Fora depois da audiência, quando Scully apenas suspirara após ouvir a decisão do juiz e fora embora sem produzir um som e sem nem se despedir da filha, que ele percebera no que ele a havia tornado. Maleah havia olhado a mãe ir embora sem piscar e agora, todos os dias perguntava quando ela poderia vê-la.

Mulder ficava completamente sem ação, porque não tinha a mínima idéia. A visão das bochechas coradas de vergonha e da dor, o único sentimento que ele tinha visto nos olhos dela durante muito tempo, agora faziam o coração dele se apertar. Resoluto, Mulder foi com a filha até a casa de Margaret Scully. A mulher o recebeu com os olhos cheios de saudade e compreensão, o que aumentou ainda mais a culpa que o vinha corroendo. Relutante, Maggie dissera onde ele poderia encontrar Dana e Mulder, agradecendo e prometendo trazê-la de volta entrou no carro e arrancou em direção ao litoral.

No banco de trás, Maleah olhava pela janela e seu coraçãozinho batia forte no peito de saudades. Pensando agora, ela sabia que seu silêncio não fora o melhor modo de dizer à mãe que sentia saudade do pai e que queria estar perto dele. Maleah sentia saudades do modo como a mãe, quando pensava que ela estava dormindo a pegava no colo e a aconchegava junto ao peito, ninando-a em frente à janela do quarto. Ou como ela sempre depositava um beijo na testa dela mesmo que Maleah virasse o rosto. Ela não fazia por mal, ela só queria que a mãe entendesse que tudo aquilo de ter mãe era muito novo para ela e ela precisava do pai para ajudá-la a passar por tudo aquilo. Mas agora, olhando pela janela, o coraçãozinho apertado, Maleah sabia que o silêncio fora o pior modo de tentar dizer isso para a mãe.

* * *

Mulder estacionou o carro a alguns poucos metros da casa na beira da praia onde Melissa Scully morava quando viva. As janelas estavam iluminadas e a lua brilhava num céu estrelado. O cheiro de sal e maresia e o barulho das ondas era confortante, mas ainda sim ele estava inquieto. Pegou Maleah no colo e andou com ela até a casa. A menina simplesmente apoiou uma mão em seu ombro e esperou, olhando ao redor.

As tábuas da varanda estalaram conforme ele subira os degraus salpicados de areia. Respirando fundo algumas vezes para recuperar a calma, Mulder colocou Maleah no chão e bateu na porta.

"Já vai!"

A voz doce e um tanto rouca acelerou ainda mais o coração de Mulder, que agora parecia querer escapar pela boca. Passaram-se alguns segundos e a porta se abriu, revelando Scully, os olhos fundos, o corpo envolto por um roupão azul felpudo. Os cabelos, muito mais longos do que o comprimento que ela usara quando ainda estava no FBI, se encontravam presos num rabo de cavalo.

"O que vocês estão fazendo aqui?"

Os olhos dela revelavam sofrimento e incredulidade, mas uma determinação que Mulder descobrira estar faltando nos últimos meses.

Nenhum dos dois respondeu e Scully simplesmente deu um passo ao lado para que eles entrassem. Mulder observou a casa aconchegante, um sofá de tijolos em forma de "L" ocupando duas paredes com várias almofadas coloridas em cima para dar conforto. Em frente a ele, uma mesa de centro de madeira com tampo de vidro. No canto jaziam uma enorme almofada de couro que servia como poltrona e no outro canto uma mesa com três cadeiras e um vaso com flores em cima. A casa era quente e convidativa, apesar do frio da noite.

Scully olhava para Maleah com os olhos cheios de saudade e receio, mas se mantinha afastada da menina. Mulder passou uma mão pelos cabelos, sem saber o que fazer, sem saber como agir, ou o que falar para fazer aquela situação ao menos remotamente menos desconfortável.

"Vocês querem beber alguma coisa?"

Mulder assentiu e caminhou até o sofá quando Scully falou para eles se sentarem antes de se dirigir para a cozinha. Maleah se jogou na poltrona-almofada e ficou olhando para o pai com a mesma expressão de cachorrinho pidão que ele usava tão freqüentemente.

O que foi, princesa?

As mãos dele moveram, rápidas e precisas e Maleah suspirou antes de levantar suas próprias mãos, pequeninas e ainda ligeiramente gorduchas, uma lembrança do bebê que ela fora e ainda era.

Mamãe está brava comigo.

Mulder sentiu lágrimas lhe subirem aos olhos e estendeu os braços abertos para frente. Maleah levantou da poltrona e caminhou até eles. O pai afastou um cacho cor de canela dos olhos dela e sorriu antes de gesticular outra frase.

Mamãe está brava comigo, princesa. Ela te ama.

A menina olhou para ele e não falou mais nada, simplesmente voltou para o lugar de onde tinha vindo e voltou a se afundar na poltrona-almofada. Scully voltou da cozinha uns 5 minutos depois trazendo duas garrafas de cerveja e um copo de chá gelado. Colocou a bandeja em cima da mesa de centro e sentou num dos extremos do sofá, agarrando uma das garrafas pelo pescoço. Mulder sorriu para ela antes de fazer o mesmo com a outra e Maleah agarrou o copo de chá com as duas mãos e ao invés de voltar para seu lugar na poltrona-almofada, sentou-se entre o pai e a mãe, mais para o lado de Scully do que de Mulder e a encarou com os olhinhos inquisitivos, estudando-a por alguns segundos. Melissa Scully sorriu antes de depositar um beijo na têmpora da sobrinha, sussurrar algo em seu ouvido e voltar a desaparecer.

"As estrelas não são queridas agora, guarde-as todas. Empacote a lua e desmonte o sol. Jogue fora o oceano e varra a madeira. Porque nada agora fará nenhum bem." Eu sinto muito.

Scully tossiu e engasgou com a cerveja e olhou para a filha como se nunca a tivesse visto antes. Colocando a garrafa em cima da mesa, ela virou o corpo para estudar Maleah melhor. A menina agora sorria para ela e tinha os olhos brilhando.

Maleah, onde você ouviu isso?

A menina deu de ombros e virou a cabeça levemente, estudando a mãe com interesse. Nada mais foi falado. Scully e Mulder conversaram, a cerveja soltando a língua e fazendo com que eles esquecessem as inibições e as feridas e simplesmente sentassem para conversar sobre tudo e sobre nada, como faziam há tempos atrás. Lá pelas 11 horas, Maleah adormeceu com a cabeça apoiada no colo da mãe. Scully se levantou e levou a menina para o quarto de hóspedes no segundo andar. Eles continuaram conversando até ás 2 horas quando, vesgos de sono, ambos foram dormir. Scully no quarto principal e Mulder no sofá.

Foram os gritos da menina que acordaram os dois algumas horas depois. Quando, tonto pelo sono e confuso, Mulder finalmente alcançou o quarto, Scully já estava lá. Sentada na cama, Dana tinha Maleah encolhida em uma bola em seu colo, uma das camisas dele como pijama (de onde ela tinha vindo?), a chupeta na boca e os olhinhos escancarados e focalizados na mãe.

Scully sussurrava algo para a menina enquanto a embalava suavemente para frente e para trás. Mulder apoiou o ombro direito no batente da porta e cruzou os braços, observando a cena com um sorriso. Dana levantou da cama com a menina no colo e colocou uma mão em seus cabelos, correndo os dedos pelos cachos macios e sussurrando uma canção que Maleah não podia ouvir, mas podia sentir nas vibrações da garganta de Scully, onde sua testa estava pressionada. Mulder tomou seu tempo para observar tudo, semi escondido pela escuridão. Observou a mão de Scully se movendo ritmicamente pelo cabelo da menina, os pezinhos pequeninos vestidos em meias brancas balançando conforme a mãe andava, a chupeta se movendo na boca, os braços ao redor do pescoço de Scully, e no silêncio, o ronronar suave que Maleah fazia sempre que estava prestes a cair no sono.

Estudou Dana Scully também. O cabelo agora cacheado devido à cama, o modo como ela parecia toda morna e macia e levemente adormecida. As mãos de Mulder coçavam, querendo tocá-la, e antes que ele se desse conta do que estava fazendo, ele se pegou colocando uma mão no rosto dela, descendo os dedos pelo pescoço delgado antes de continuar pelo ombro e braço e voltar. Seu corpo parecia se mover por si próprio e mantinha Scully sobre hipnose. Ela fechou os olhos e gemeu quando ele finalmente a beijou, desta vez com tanta ternura, que ela sentiu o beijo diretamente na área do peito, no coração. Ele esfregou o nariz em seu pescoço e piscou para uma muito sonolenta Maleah, que abrira os olhos apenas para investigar porque a mão da mãe parara de mexer em seus cabelos. Mulder abraçou a parceira, o peito queimando de saudade. Depositou um beijo na têmpora mais próxima. Scully manteve uma mão como suporte para Maleah e levantou o outro braço, circulando o pescoço de Mulder.

Eles continuaram a girar por alguns minutos antes de colocar a menina de volta na cama. Mulder segurou Scully pela mão e a levou para o quarto. Novamente, ela não teve tempo para se preparar, mas desta vez, eles fariam amor, não sexo. Ele pressionou um beijo na pele sensível atrás da orelha e lembrou do gosto da pele macia depois de tanto tempo. Ela estava mesmo quente e macia e sonolenta e cheirava a cama, e inocência e sonhos. As mãos dela tremeram ao despi-lo e as dele se mantiveram firmes ao levá-la a loucura. Ela mordeu o ombro dele quando ele entrou suave e ele afundou o rosto no travesseiro quando ela explodiu. As mãos dela queimavam sua pele, fazendo a pressão em seu baixo ventre aumentar a cada toque diferente. Por alguns segundos, esta pressão se tornou ligeiramente dolorida antes de ele também explodir num gemido baixo, o rosto escondido no meio de fios cor de canela.

O peso do corpo dele a afundava no colchão, mas nem Scully nem Mulder conseguiam se mover. Os únicos movimentos eram as mãos dela acariciando os cabelos dele e os lábios dele depositando beijos em qualquer pedaço de pele que eles encontrassem pelo caminho. Finalmente, ele rolou. De mutuo acordo, Dana deu as costas a ele e ele se encaixou nela, como duas colheres em uma gaveta, jogando uma perna por cima das dela e usando um dos braços para acomodar a cabeça dela. Scully pousou uma das mãos no joelho de Mulder e ronronou quando ele espalmou a mão dele em sua barriga, traçando círculos preguiçosos em seu umbigo.

Sem pedidos verbais de desculpas ou flores ou declarações infundadas de amor, eles haviam feito as pazes, porque era assim que eles eram. Ela sabia que ele sofrera tanto quanto ela, ou mais pela culpa e ele sabia que ela também sofrera e estava tão arrependida quanto ele. Sentindo um arrepio lhe subir pela espinha, Mulder a abraçou com mais força e bocejou, roçando o nariz na nuca e sorrindo quando os pêlinhos lá se arrepiaram. Scully riu baixinho, a mão subindo e descendo, do joelho para o quadril e de volta ao joelho.

"Você não tem idéia do quanto eu amo você."

Ele sussurrou, algo incontrolável lhe subindo pelo corpo, um desejo de tê-la sempre ali, de colocá-la dentro dele e protegê-la de todo o mal. Scully levantou a mãe dele que estava em sua cintura e beijou a palma, em seguida devolvendo-a para sua barriga.

"Eu sei. E eu amo você também, Mulder."

Ele assentiu devagar e com uma leve pressão em seu quadril fez ela se virar de frente para ele e a beijou, o dedão traçando os contornos delicados dos ossos da bochecha e maxilar, a orelha encurralada entre o dedo médio e o anelar e os fios macios roçando as pontas dos dedos de leve. Ela tinha o gosto doce e uma maciez que o corpo dele não podia ignorar. Sem poder evitar, Mulder viu se colando ainda mais nela, sentindo-a macia e quente e deliciosamente sonolenta. Os olhos azuis estavam embaçando de sono e um sorriso satisfeito brincava nos canto dos lábios inchados de tanto beijar. Ronronando, ele afundou o rosto no pescoço dela e bocejou, se ajeitando tal qual criança, movendo a cabeça de um lado para o outro antes de suspirar e ficar imóvel. Scully movia os dedos nos cabelos dele, sentindo uma paz nunca antes sentida descer sobre ela e a fazer plena naquele emaranhado de lençóis e travesseiros. Com o corpo mole e aquecido no jeito mais delicioso, ela adormeceu com a certeza de que ele era dela. Para sempre.

* * *

No outro quarto, Maleah piscou para Melissa antes de voltar a dormir.

* * *

FINALE

_________________
Beijinhos;)
Thita



*Ser feliz não é ter uma vida perfeita, Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios e perdas... Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar autor da própria história...*
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